Brejo do Salgado: águas salobras e currais
Entre os séculos XVII e XVIII o rio São Francisco funcionava como caminho natural entre o sertão mineiro e a Bahia, e foi por ele que chegaram as expedições e os currais que deram origem a Januária. Quem subia o curso d'água ocupou terras percorridas por povos indígenas do vale, entre eles os Xakriabá, que viviam na margem esquerda do rio, no norte do estado. O povoado inicial recebeu o nome de Brejo do Salgado por causa das águas salobras que afloravam nos terrenos alagadiços da área.
Esse núcleo original ficava a cerca de cinco quilômetros da margem esquerda do São Francisco e viveu da criação de gado em currais abertos ao longo do rio, atividade que sustentou a ocupação do norte mineiro. À beira d'água formou-se um ancoradouro para depósito e troca de mercadorias, conhecido como Porto do Brejo do Salgado e, depois, apenas Porto do Salgado. O naturalista francês Auguste de Saint-Hilaire, que percorreu a região em 1817, registrou a prosperidade do lugar e o volume das trocas comerciais.